Sem querer me intrometer | Mariana Baptista

Resenha: Just Listen | Sarah Dessen

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Título: Just Listen
Original: Just Listen
Autora: Sarah Dessen
Editora: Farol Literário
Páginas: 307
Avaliação: ★★★ (4/5)




Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Greene começa o ano letivo sozinha e sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém. Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas, a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.

     Se eu não me engano, já comentei com vocês como sempre me interesso por livros que apresentem qualquer indicativo de mistério na trama, né? Com Just Listen ― cujo subtítulo é A Garota que Esconde um Segredo ― não foi nem um pouco diferente. Não precisei nem ler a sinopse para ter certeza absoluta de que queria (e muito!) descobrir o tal segredo da tal garota. E fico muito feliz em ter tomado essa decisão.

     Just Listen traz a estória de Annabel Greene, uma típica jovem popular no colégio. Dando valor excessivo à sua aparência, como a maioria dos adolescentes de classe média alta com os quais convivia, a protagonista sempre teve uma vida perfeita, rodeada de amigos, paqueras e diversão. Porém, certo dia, em uma festa, a garota foi vista com Will, o namorado de sua melhor amiga, Sophie. A partir de então, Annabel perdeu todas as suas amizades e, tachada como “vadia”, passou a receber o desprezo de seus colegas de escola.

Na primeira semana de aula, Sophie me ignorou completamente. Isso foi difícil. Mas quando ela finalmente começou a falar comigo, logo percebi que preferia o silêncio.
― Vadia. Capítulo 4, pág. 57

     Os verdadeiros acontecimentos daquela noite jamais chegaram a ser ouvidos. Mesmo sem qualquer conhecimento sobre o que acarretara no envolvimento de Annabel e Will, todos simplesmente deduziram o óbvio e julgaram a menina: Apenas uma imoral que havia traído a confiança de sua melhor amiga por um desejo carnal. Porém, como protagonista de toda aquela situação, Greene sabia perfeitamente que aquela não era, nem de longe, toda a verdade e precisava reunir forças para superar aquela noite fatídica e reconstruir sua vida diante da rejeição que jamais havia recebido antes.

     Nessa nova fase de sua vida, Annabel conhece Owen, um atípico e antissocial jovem de seu colégio conhecido apenas pela repercussão cruel de seus ataques de raiva esporádicos. Porém, a garota acaba descobrindo que seu novo amigo é muito mais do que apenas um descontrolado. Por trás de seus rótulos, Owen esconde uma personalidade meiga, divertida e totalmente diferente de tudo aquilo que ela já havia conhecido em seu antigo grupo.

(...) Owen detestava silêncio. Também constava na sua lista de coisas de que ele não gostava: manteiga de amendoim (muito seca), mentirosos (dispensa explicações), e pessoas que não davam gorjetas (aparentemente, entregar pizzas não pagava muito bem). E estes eram apenas o que eu sabia até o momento. Talvez fosse por causa do tempo em que ele ficou no Gerenciamento de Raiva, mas Owen era muito aberto com relação às coisas que o irritavam. Capítulo 9, pág. 135

     A trama Just Listen começa despretensiosa, porém adquire forças conforme vai revelando mais e mais detalhes do drama vivido por Annabel. Aos poucos, assuntos polêmicos e pesados como bullying, problemas familiares, anorexia, abuso sexual e depressão envolvem-se na narrativa e a tornam cada vez mais densa e reflexiva.

     Narrada em primeira pessoa por Annabel, a estória de Sarah Dessen tem tudo para conquistar um lugar entre os livros favoritos de seus leitores. Um young adult recomendadíssimo aos fãs do gênero!

"Don't think or judge. Just listen."

Resenha: Graffiti Moon | Cath Crowley

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Título: Graffiti Moon
Original: Graffiti Moon
Autora: Cath Crowley
Editora: Valentina
Páginas: 238
Avaliação: ★★★★★ ♥ (5/5)



Uma aventura emocionante e perigosa como um grafite clandestino. Uma noite de arte e poesia, humor e autodescoberta, expectativa e risco e, quem sabe, amor verdadeiro. Um artista, uma sonhadora, uma noite, um significado. O que mais importa? O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar: essa noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho de sua vida.Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois de repente se juntam numa busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.

     O amor. Ah, o amor! Aquela palavra que arrebata os corações quando “gostar” não é o suficiente para expressar o tamanho do sentimento despertado por alguém ― ou no caso, por algo ― em nós. Meus caros leitores, eu não sou do tipo de pessoa que se apaixona muito fácil, mas juro que desde que concluí a leitura de Graffiti Moon tenho passado noites em claro procurando alguma brecha na legislação brasileira que permita que eu me case com esse livro. Estou amando. [Insira aqui cenas de eu e meu exemplar correndo um em direção ao outro euforicamente por um campo florido e repleto de borboletas]

     Mas agora, concluída a tarefa de tentar demonstrar para vocês o quanto gostei desse livro, vamos continuar a resenha como a profissional imparcial que não sou? Quando a Editora Valentina disse que me enviaria Graffiti Moon para divulgação em um evento da minha cidade, revirei os olhos. O pouco conhecimento que tinha sobre a obra ― baseado na péssima primeira impressão causada pela capa que eu, particularmente, não suporto e na dedução de que, por ser um livro que trata de artes, a linguagem seria sofisticada demais ― me repelia da vontade de lê-la. Eu não podia estar mais enganada.

     Graffiti Moon, escrito por Cath Crowley, nos apresenta à Lucy ― uma jovem artista apaixonada por trabalhos em vidro que sonha em encontrar Sombra, um grafiteiro anônimo de sua cidade e, também, provável amor de sua vida ― e Ed ― um rapaz com muitas dificuldades financeiras e emocionais, que encontra apenas em seus desenhos a paz que procura.

No alto da ladeira, começo a pedalar. As luzes da cidade brilham, piscam, e eu voo pelo meu corredor suave, pensando no Sombra. Ele está lá fora, em algum lugar da escuridão. Espalhando cor. Pintando pássaros e céus azuis na noite. Pág. 33

     Certa noite, o destino une ― não pela primeira vez  os dois adolescentes quando seu grupo de amigos resolve passar uma divertida noite juntos para comemorar o início das férias. Porém, Lucy só consegue pensar em Sombra e em como encontra-lo e Ed, por sua vez, não tira da cabeça seu outro perigoso compromisso para aquela noite. Porém, a vida prega uma peça em ambos e faz com que se metam juntos em uma arriscada aventura noturna pelas ruas da cidade pacata onde vivem.

Alguma coisa na voz dela (...), à noite, com escuridão em volta e um mundo que fiz na minha frente. Nós dois paramos de nos preocupar. Pág. 138

     Em Graffiti Moon conhecemos os personagens cada vez melhor a cada página, sendo surpreendidos por revelações feitas em relação ao passado e sentimentos dos dois protagonistas. Narrado em primeira pessoa com capítulos alternados entre Lucy e Ed ― e alguns extras com poesias de Poeta, parceiro de Sombra ―, a trama nos aproxima, com uma linguagem simples e contemporânea, das dificuldades e vontades dos jovens, além de citar diversas formas de arte ― pinturas, livros, esculturas e etc. ― que ilustram perfeitamente o clima cult da estória.

     Com um final extremamente apaixonante, Graffiti Moon envolve o leitor da primeira à 238ª página com muita aventura, reflexão e um romance sutil e memorável. Comecem a ler agora!

Dentro dele há uma cerca de arame
E depois da cerca há um cão
E depois do cão há ladrões
E depois dos ladrões
Uma gangue de sonhos ruins
E depois dos sonhos
Se você conseguir passar pelos sonhos
Estão as coisas que os fazem pulsar
Pulsar, pulsar, pulsar
Pág. 120

Resenha: Dark House | Karina Halle

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Título: Dark House
Original: Dark House
Autora: Karina Halle
Editora: Única
Páginas: 349
Avaliação: ★★★ (4/5)



Há sempre algo fora do normal em Perry Palomino. Embora ela esteja vivendo uma crise ao passar pela síndrome pós-faculdade, assim como qualquer garota de vinte e poucos anos, ela não é o que chamaríamos de comum. Perry possui um passado que prefere ignorar, e há também o fato de que ela consegue ver fantasmas. Tudo isso vem a calhar quando se depara com Dex Foray, um excêntrico produtor que está trabalhando em um webcast sobre caçadores de fantasmas. Dex, que se revela um enigma enlouquecedor, arrasta Perry para um mundo que a seduz e ameaça sua vida. O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça e faz com que ela se apaixone por um homem que, como o mais perigoso dos fantasmas, pode não ser o que parece.

     Primeiro ponto que preciso discutir nessa resenha: Eu não sou uma grande adepta de estórias de terror. Para falar a verdade, nem sei explicar como tive a súbita coragem de solicitar Dark House ― primeiro livro dos nove que constituirão a série Experimente o Terror ― para resenha. Mas não me arrependo. O livro conseguiu me agradar por muitos motivos e, tenho certeza, conseguirá agradar também os fãs de terror, tendo em vista que Karina Halle possui um talento descritivo inquestionável para cenas e situações sinistras.

     Em Dark House, conhecemos Perry Palomino, uma jovem de vinte e dois anos extremamente madura para sua idade. Com um passado atormentado pelo constante bullying que sofria e uma personalidade de grande indiferença em relação à quase tudo que a cerca, Perry esconde também uma outra particularidade: Ela vê/percebe fantasmas e, de alguma forma, consegue se conectar com eles de uma forma sobre-humana.

Quando eu era nova, ainda com apenas um dígito de idade, tinha um monte de amigos imaginários (e inimigos também, o que é bem assustador). (...) Meus pais surtaram por causa disso e me mandaram para vários tipos de psicólogos para encontrar alguma cura. Capítulo 2, pág. 27

     Após ter visões perturbadoras relacionadas a um farol abandonado ― parte da propriedade de seu tio Albert ―, Perry determina-se a ir até o local para tentar compreender o porquê de ter tantos pesadelos relacionados a ele. Chegando lá, ela conhece Dex, um enigmático produtor de webcast que tem frequentado o farol abandonado na companhia de sua câmera.

     Dex, com sua personalidade totalmente ambígua ― ora amável, ora assustador ―, e Perry, com sua pouca experiência em relacionamentos amorosos, acabam envolvendo-se em um relacionamento inconclusivo que não pode ser nem de longe considerado o foco da trama, porém acrescente um clima terno e vulnerável ao livro e seus personagens.

Eu estava confusa. Esse era o mesmo cara com quem eu falei por telefone nos últimos dois dias?
Ele deve ter notado minha cara de interrogação e finalmente tirou os olhos da estrada para olhar para mim, mas não disse nada. Capítulo 7, págs. 129-130

     Aprofundando-se cada vez mais nos segredos escondidos no farol e nos espíritos que nele se vinculam, a estória narrada em primeira pessoa por Perry envolve o leitor do começo ao fim, intrigando-nos cada vez mais com os mistérios daquilo que não pode ser visto pelos homens normais.

     Uma ótima leitura com um terror leve, porém bem trabalhado e cheio de surpresas. Indicadíssimo e que venham os próximos volumes!