Sem querer me intrometer | Mariana Baptista

Resenha: A Namorada do Meu Amigo | Graciela M.

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Título: A Namorada do Meu Amigo
Autora: Graciela Mayrink
Editora: Novas Páginas {Novo Conceito}
Páginas: 334
Avaliação: ★★★ (5/5)




Quando voltou das férias de verão, Cadu não imaginava a confusão em que a sua vida se transformaria. Era para ser um ano normal, mas ele entrou em uma enrascada e está correndo o risco de perder a amizade do cara mais legal do mundo. O que fazer quando a namorada do seu amigo vira uma obsessão para você? Os churrascos da turma da faculdade talvez ajudem a esquecer Juliana, e, se depender do esforço do divertido Caveira, não faltarão garotas gente boa para preencher o coração de Cadu. Mas não adianta forçar… Quem consegue mandar no coração? Alice, a irmã de Beto, é só mais uma das dores de cabeça que Cadu tem que enfrentar. A vida inventa cada cilada!

     Antes de começar a resenha, deixo aqui para vocês um desabafo: Antes da leitura de A Namorada do Meu Amigo, eu nunca havia tido contato com a escrita de Graciela Mayrink. Dessa forma, diferentemente dos fãs de Até Eu Te Encontrar romance de estreia da escritora, relançado pela Editora Novo Conceito em setembro de 2013 ―, eu não sabia o que esperar da narrativa construída por Graciela. Mas, para minha felicidade, a escrita da autora me conquistou logo de cara e não deixou nada a desejar.

     Em A Namorada do Meu Amigo conhecemos Cadu, um jovem rapaz que, ao voltar de viagem ― algo que ele sempre costuma fazer para visitar a mãe nas férias ―, se depara com uma situação que abala completamente sua rotina. Um de seus melhores amigos, Beto, começou a namorar com Juliana (Juju), uma menina que passou parte da infância no bairro dos garotos e havia, recentemente, voltado ao convívio dos mesmos.

― Não quer saber quem o Beto está namorando? (...)
― Quero, claro. Quem é a infeliz? ― brinquei.
― A Juju. Lembra da Juju? ― Caveira começou a rir. Capítulo 2, pág. 21

     Porém, a Juju que Cadu um dia conhecera em nada se parecia com a Juliana que agora lhe era apresentada: A menina estava linda, meiga e... irresistível. Isso mesmo! Irresistível mesmo sendo a namorada do amigo de infância do nosso protagonista. Então acho que não fica difícil para vocês imaginarem que Cadu acaba se apaixonando por ela, não é mesmo?

     O livro desenvolve o dia-a-dia de Cadu tentando “lutar” contra seu sentimento por Juliana ao mesmo tempo em que mesmo que de forma inconsciente ― cede cada vez mais à vontade de tê-la para si. Mostrando, em primeira pessoa, a situação extremamente complicada na qual o protagonista está envolvido, A Namorada do Meu Amigo aborda diversos temas adolescentes contemporâneos, como a faculdade, as amizades ― com um destaque ao divertidíssimo Murilo (Caveira), também amigo de infância de Cadu e Beto ―, o relacionamento familiar e, principalmente, as paixões avassaladoras características da fase.

(...) gostar da Juliana estava me fazendo muito mal. Precisava esquecer a namorada do meu melhor amigo. Capítulo 21, pág. 170

     Acredito que o ponto que mais me surpreendeu no livro foi a inversão total de papéis que ele conseguiu, pelo menos no meu caso, trazer ao leitor. Cadu não é exatamente o mocinho esperado para romances adolescentes, afinal, que tipo de “cara bonzinho” ia querer roubar a namorada do melhor amigo, não é mesmo? Ainda assim, o livro aos poucos nos desvincula de nossos pré-julgamentos e passamos a torcer pelo protagonista.

     Vale destacar, também, que são poucos os livros ― principalmente os nacionais ― escritos por uma autora (no feminino destacado da palavra) que trazem um protagonista homem. Graciela conseguiu desenvolver todo o texto em primeira pessoa no masculino sem cometer quaisquer tipos de gafes.

     A Namorada do Meu Amigo é um livro leve, dinâmico e apaixonante, muito bem trabalhado ― tanto pela própria autora, quanto pela Editora Novo Conceito, que fez um trabalho de revisão e diagramação maravilhoso ― e que merece conquistar muitos fãs. Super indicado!

Resenha: O Livro dos Viloes | Varios Autores

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Título: O Livro dos Vilões
Autores: Cecily von Ziegesar, Carina Rissi, Diana Peterfreund, Fábio Yabu
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Avaliação: ★★★ (5/5)




Organizado da mesma forma que ‘O Livro Das Princesas’ – também com o esquema de dois populares autores nacionais, e dois nomes famosos do exterior – ‘O Livro Dos Vilões’ reúne estes autores para uma coletânea de contos sobre vilões icônicos dos contos de fadas. As irmãs de Cinderela? Malévola? Madrastas e lobos? Carina Rissi, Cecily Von Ziegesar, Diana Peterfreund e Fábio Yabu estão aqui com a mensagem: este não é um livro tão bonzinho quanto o seu antecessor. Cecily Von Ziegesar é a popular autora das séries It Girl e Gossip Girl, esta última que inspirou o seriado na televisão. Diana Peterfreund é autora das séries Sociedade Secreta e Caçadora de Unicórnios. Carina Rissi é autora dos populares Procura-se um marido e Perdida, publicados pela editora Verus, que já venderam mais de 40 mil exemplares no Brasil. Fábio Yabu já publicou, pela Galera, seu livro A última princesa.

     Após o inegável sucesso que sucedeu o lançamento de O Livro das Princesas, em julho do ano passado (2013), a Galera Record investiu novamente em reunir estórias curtas de autores de sucesso nacionais e internacionais ― a fim de montar uma bela antologia temática de adaptações modernas de contos de fadas clássicos.

     O Livro dos Vilões é construído por quatro contos escritos por Cecily von Ziegesar (#stepsisters - Sobre Sapatos e Selfies), Carina Rissi (Menina Veneno), Diana Peterfreund (Quanto Mais Afiado o Espinho) e Fábio Yabu (A Menina e o Lobo). As estórias se baseiam cada uma em um conto clássico já conhecido por nós ― Cinderela, Branca de Neve e Os Sete Anões, A Bela Adormecida e Chapéuzinho Vermelho/Os Três Porquinhos, na respectiva ordem ―, porém focam-se em descrever as situações partindo do ponto de vista dos, considerados até então, “vilões” dessas tramas.

     O primeiro conto, #stepsisters - Sobre Sapatos e Selfies, nos apresenta à Dizzy e Nastia, irmãs gêmeas super populares e famosas entre os jovens por seu sucesso no Instagram. Na estória, conhecemos um pouco das preocupações de extrema futilidade das irmãs e, também, tomamos conhecimento acerca de algo na vida das duas que as irrita profundamente: sua meia-irmã, Cindy.

     A trama, baseada na estória de Cinderela, mostra um lado menos maligno das “irmãs más”. Na narrativa desenvolvida por Cecily, Dizzy e Nastia são muito egoístas e focadas apenas em seus próprios problemas  como, por exemplo, atrair a atenção do lindo e popular Manchild Kennedy ―, porém não possuem um nível maior de maldade do que o normalmente encontrado em adolescentes mimadas. Acredito que essa desconstrução de personagens seja o ponto alto do conto em questão.

― Vamos continuar bebendo ponche até não aguentar mais e depois vomitar tudo no lindo vestido branco dela ― disse Nastia (...).
 
― Eu estava pensando em algo mais cruel e permanente ― disse Dizzy (...). ― Podemos decepar os pés dela e roubar os sapatos. Pág. 31

     O segundo conto, baseado na estória da Branca de Neve, foca-se em Malvina, uma famosa modelo internacional que, com a morte do marido, Henrique Neves o qual ela nunca realmente amou ―, herda uma responsabilidade indesejada: cuidar de Bianca, sua enteada.

     Mais uma vez encontramos em Menina Veneno uma narrativa que cumpriu com o dever de desconstruir os personagens. Malvina, associada à madrasta má, mostra seu lado mais humano e demonstra que muitas de suas “maldades” são baseadas em seu egoísmo extremo. Porém, o mais interessante no conto de Carina Rissi é que Bianca ― que deveria ser a mocinha da estória ― se mostra tão fútil e, em certos momentos, detestável quanto a madrasta.

Você provavelmente já escutou essa história antes, mas com certeza não ouviu a verdadeira história. Não que eu possa culpá-lo por isso. A imprensa adora transformar alguém em vilão. Ou vilão, como é o caso. Pág. 57

     O terceiro conto, Quanto Mais Afiado o Espinho, é o meu favorito do livro. Apesar de sentir que a autora tentou abordar muitos temas complexos em uma estória tão curta ― dessa forma, falhando em aprofundar todos eles ―, adorei a inversão completa de papéis proposta por Diana Pererfreund.

     Na trama, conhecemos Malena, uma jovem “bruxa” que conquistou a pouco o sonho de começar a frequentar o ensino médio normalmente como os outros adolescentes de sua idade. Em sua fase de adaptação à nova rotina, a menina conhece Flo, Dawn e Marie que associam-se às três fadas madrinhas de Aurora, no conto original A Bela Adormecida ― e investe em uma amizade com elas. Porém, aos poucos, as novas amigas de Malena mostram que não podemos confiar tão facilmente nas pessoas e que, por trás dos sorrisos e elogios, muitas delas podem estar sendo muito falsas.

Então estou sozinha no corredor, onde minha esperança pode escapar pelas rachaduras do piso.
Pág. 198

     O último conto da antologia, A Menina e o Lobo, escrito por Fábio Yabu, é, na minha opinião, o mais crítico de O Livro dos Vilões. O autor conseguiu fundir diversos contos, focando-se principalmente naqueles em que o Lobo faz papel de vilão ― como Chapéuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos ―, a fim de mostrar como uma estória pode inverter-se totalmente quando a vemos por outro ponto de vista.

     De uma forma bastante irônica ― fazendo, inclusive, a genial adoção do Narrador das estórias como um personagem ―, Yabu consegue fazer com que o leitor se desvincule totalmente da ideia de bem e mal pré-definida pelos contos originais.

"... e todos foram felizes para sempre."
Seis palavras que ecoavam tal qual uma canção satânica e pegajosa em sua mente. (...) Em toda a história dos Contos de Fadas, somente um personagem conseguira o feito de ser esquecido.
Págs. 225-227

     No geral, O Livro dos Vilões é uma leitura agradável e com vocabulário simples e atual. As estórias são contemporâneas e envolvem vários aspectos do nosso dia-a-dia, sem deixarem de fazer referências interessantíssimas aos contos de fadas originais. Além disso, os contos curtos ― menos de cem páginas cada ― dão dinamicidade à leitura. Super indicado aos fãs de adaptações.

Resenha: O Peculiar | Stefan Bachmann

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Título: O Peculiar
Original: The Peculiar
Autor: Stefan Bachmann
Editora: Galera Record
Páginas: 271
Avaliação: ★★★ (4/5)




Parte romance gótico, parte mistério e aventura steampunk. Após a invasão do mundo pelos seres mágicos, as fadas foram aceitas entre os mortais, mas os mestiços não têm lugar. Os irmãos Barthy e Hettie vivem com medo. Tudo piora quando Peculiares são encontrados, ocos, boiando no Tâmisa. Mas eles estão seguros em Bath, não? Talvez... Se não fosse pela misteriosa dama em veludo ameixa que aparece na vizinhança. Quem é ela? E o que quer?

     Acredito que todos vocês conheçam aquela famosa frase “Não julgue um livro pela capa”, não é mesmo? Posso lhes dizer que O Peculiar é uma representação totalmente verossímil do quanto esse ditado popular está corretoAo ver a capa do livro pela primeira vez na livraria, imediatamente assimilei as cores e elementos a uma estória bastante infantil, descontraída e leve, porém agora meses depois e com a leitura concluída ―, posso assegurar que a trama de Stefan Bachmann é uma mistura de steampunk e fantasia muito mais densa e “adulta” do que eu havia imaginado.

     Em O Peculiar, o mundo é totalmente diferente do que conhecemos. Após diversos conflitos na terra, os humanos passam a conviver com fadas mas, antes que vocês pensem na Tinker Bell ou outras personagens desse tipo, saibam que as fadas de Bachmann são muito menos puras e boazinhas do que as das estórias da Disney ― de uma forma não muito harmoniosa. Os peculiares ― mestiços de fadas e humanos ―, por exemplo, não são bem aceitos na sociedade e sofrem constantes perseguições, sendo obrigados a esconderem suas verdadeiras origens dos demais habitantes que os rodeiam.

― (...) Por que a Inglaterra nos odeia? O que fizemos para seu mundo nos abominar tanto assim? Nós não queremos estar aqui. Não viemos para ficar. Capítulo II, pág. 37

     Bartholomew Kettle, o protagonista da trama, é um peculiar e vive com medo de ser descoberto. Porém, o aparecimento de uma misteriosa mulher de vestido cor de ameixa, seguido por uma onda de assassinatos e desaparecimentos de mestiços em Bath local onde a estória é ambientada ―, faz com que Barthy envolva-se em um mistério a fim de compreender os crimes antes que eles aconteçam com seus familiares, principalmente sua irmã Hettie.

     Contando com a ajuda do Sr. Jelliby, um discreto parlamentar, o irmão Kettle embarca em uma investigação cheia de surpresas e mistérios sombrios e bastante perturbadores.

O Sr. Jelliby não era o tipo de homem que tomava decisões precipitadas. Na verdade, não era o tipo de homem que tomava decisão alguma. Capítulo XII, pág. 146

     Como citei no início da resenha, O Peculiar é bastante denso e repleto de informações. Acredito que a escolha do autor em escrever o livro como um steampunk que, para quem não sabe, nada mais é do que um tipo de ficção focada no desenvolvimento tecnológico historicamente mais avançado do que o real, fundamentado sobre a utilização de máquinas à vapor ― fez com que fosse necessária a explicação minuciosa de alguns aspectos da estória. A narrativa é bastante descritiva e isso acaba “atrasando” um pouco os momentos de ação da obra, fazendo com que a trama torne-se um pouco maçante em alguns pontos.

     Narrado em terceira pessoa, o livro consegue nos envolver em uma fantasia diferente de todas as outras que já li, porém peca ao deixar algumas situações sem resolução clara, além de apresentar um fechamento de trama muito arrematado quando comparado ao tempo “perdido” no restante da estória.

     Ainda assim, recomendo a leitura para os fãs de fantasia que tem curiosidade em conhecer livros steampunk com aspectos macabros bem trabalhados.

***

TOTALMENTE ALEATÓRIO À RESENHA... 
Quem é vivo sempre aparece, né? Por favor, me desculpem pela mega ausência desse último mês. Mas eu voltei e agora é para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar (CANTEM COMIGO).
Prometo não abandonar mais vocês.